A memória pode ser treinada e ampliada

por Maria Wagner, editora de Cultura do
Jornal do Comércio. Porto Alegre/RS

memoria

Joana vence o corredor da casa, entra na cozinha e então – que estranho! – não lembra o que veio fazer ali. Na primeira vez em que isso acontece, dá de ombros. Não tem importância. Pensa que está distraída, ainda pensando sobre o conteúdo do livro que está lendo e deixou em cima do sofá, à espera. Mas no dia seguinte o lapso de memória se repete, em outra situação, e assim vai indo, ao longo de toda uma semana. Opa! Alguma coisa está acontecendo. O esquecimento deixou de ser um episódio para se transformar em preocupação. Será que estou perdendo a memória?, pensa. E como uma coisa leva à outra, logo se planta nela o medo de algo tão insidioso quanto o Mal de Alzheimer…

Embora o problema esteja em crescimento no mundo, reduzindo o cérebro de adultos a precários 400 gramas – o ex-presidente dos Estados Unidos, Ronald Reagan, foi uma de suas vítimas – nada de cair em desespero. É o que garantem os autores do livro 101 Maneiras de Melhorar sua Memória (352 páginas), que pode ser comprado no site www.selecoes.com.br, por R$ 119,00. Para começo do que é uma boa conversa, o texto explica como funciona o cérebro, que controla tudo no corpo – os cinco sentidos dele. Pequeno e leve, apenas 1,5 Kg, ele precisa de muita energia, porque seus 100 bilhões de neurônios trabalham o tempo todo, cada um deles capaz de estabelecer conexões com outros 10 mil. Normalmente usamos apenas de 30% a 40% dessa capacidade, porque repetimos tarefas. Ainda assim, o cérebro consome 5 gramas de glicose (açúcar) por hora. Isso explica por que o açúcar, que lhe chega através da corrente sanguínea, não pode ser totalmente banido da alimentação. Além disso, consome um quarto do oxigênio usado pelo corpo. E este é um dos motivos pelos quais os médicos recomendam a seus pacientes que não sejam preguiçosos, que caminhem diariamente, porque caminhar acelera a respiração e, em conseqüência, intensifica a oxigenação.

O texto também explica onde se processa a memória (o que acontece com as novas informações, como armazenamos os dados), e como ela pode ser duramente atingida, caindo num limbo (amnésia) episódico ou até permanente, por causa de traumas decorrentes de acidentes e por causa de problemas como diabetes, que tem a ver com o açúcar, e depressão. Ah, sim, a depressão. Ela é a grande vilã, porque abre a porta para outras doenças. Além de acabar com o prazer de viver, ela primeiro desacelera o organismo. Depois o nocauteia. Portanto, é preciso evitá-la, recomendam os autores do livro, que foi produzido na França e adaptado ao leitor brasileiro pela Readers Digest.

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