Especial Mês de Maio – Entrevista exclusiva
- quarta-feira, maio 6, 2009, 22:40
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Entrevista com a psicóloga Luciane Sauthier
A mulher hoje pode se considerar uma mulher mais feliz, mais completa?
Certamente, pois as evoluções sociais e mudanças culturais abriram espaço para as mulheres conectarem mais com seus desejos, tendo o direito de escolhas compatíveis as suas necessidades. Dessa forma a mulher não se coloca mais com tanta freqüência em segundo plano, como nos séculos anteriores, ou como é visto ainda hoje em certos países Orientais, onde os homens estão no poder socioeconômico e psicoemocional.
A mulher está priorizando mais a vida profissional em detrimento de ser mãe?
Apesar de ser crescente essa tendência, em função das exigências do mundo moderno. O instinto materno está arraigado a condição do feminino, determinando não só a continuação da espécie humana, mas também como exercício da maternagem, oportunizando a canalização do afeto e do olhar cuidador, próprio das mulheres. Por tanto, o que se percebe hoje, a maioria das mulheres tem o desejo de serem mães e o desafio em compatibilizar com sua vida profissional na atualidade.
Têm mais mulheres hoje querendo casar, viver uma vida a dois, mas não estão querendo investir na maternidade. Por quê?
Como é sabido as elevadas cobranças profissionais e competitivas, levam as mulheres a terem filhos mais tardiamente ou mesmo não tê-los. Parte desse contingente de mulheres tem pouco tempo disponível, e ou, medo de não darem conta de cuidar de seus filhos de forma adequada. Outra parte sente que tem seus desejos satisfeitos pelo companheirismo do cônjuge e desempenho no trabalho. Esse novo tipo de satisfação feminina é atingido através do surgimento de outras fontes de prazer além da maternidade.
A mulher bem resolvida, dona de sua vida é aquela que tem uma vida independente… Na questão do amor mudou as expectativas, ou nesse caso, passa-se os anos mas continuamos iguais as mulheres de antigamente?
As mulheres estão num processo de mudanças, que arrisco em dizer, seja o mais acentuado ao longo da história da humanidade. Observa-se a existência de dualidades nos sentimentos femininos, pois ao mesmo tempo em que essa mulher moderna, bem resolvida tem clareza do que deve esperar de seu homem e sabe da existência das diferenças de gênero, existe outro lado herdado emocionalmente das gerações anteriores, o qual nos faz em determinados momentos querermos ser cuidadas e mantermos as dependências como nossas mães e avós.
Então as mulheres ainda tendem a serem dependentes dos homens?
Todos tendemos a repetir os modelos nos quais fomos criados. No entanto a mulher atual faz diferente, partiu da independência econômica para uma independência psicosexual, Podendo ter mais prazer nas diversas áreas de sua vida e manter um nível de dependência afetiva de seu parceiro, e vice-versa, de maneira saudável. Por tanto sentimentos como culpa, inferioridade estão gradativamente sendo superados.
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