NOTA DO MJDH SOBRE O ADIAMENTO DA VISITA DE AHMADINEJAD

O presidente da República Islâmica do Irã não virá mais ao Brasil, conforme estava previsto. Mahmoud Ahmadinejad adiou a visita, prevista para o próximo dia 6, por razões de política interna. Fato raro nas relações internacionais, o adiamento revela, ainda, a inconformidade de Ahmadinejad com a forma que seria recebido em Brasília. Anuncia o noticiário que ele não passaria em revista as tropas porque seria recebido no Palácio do Itamaraty e não no palácio do Planalto, que está em reformas. No Itamaraty não há condições para receber, alega a chancelaria iraniana, um chefe de estado de forma adequada.

O Movimento de Justiça e Direitos Humanos (MJDH), que organizara um ato público, previsto para o dia 6 de maio, de repúdio à decisão do governo Lula de convidar Ahmadinejad ao Brasil, permanece vigilante quanto a uma futura visita do presidente iraniano, uma vez que não houve cancelamento do convite, mas sim adiamento da visita, segundo informam as autoridades do Irã. Para o MJDH, o convite feito ao presidente iraniano é deplorável, porque naquele país são constantes as violações dos direitos humanos e o antissemitismo e a negação do Holocausto são doutrinas oficiais de estado.

Em nota anterior, o MJDH alertou para o caso de Delara Darabi, de 21 anos e aprisionada desde os 17 anos, que estava prestes a ser executada por enforcamento, apesar de inúmeros apelos de entidades internacionais para que a execução fosse comutada por outra pena. Para espanto da comunidade internacional, o regime de Teerã, que afirmara ter adiando a execução por dois meses, assassinou a jovem no último sábado, sem ter avisado sequer o advogado e a família de Delara. O enforcamento da jovem é mais um capítulo na história da tirania assassina do país presidido por Ahmadinejad.

O MJDH considera também que as manifestações do último domingo, ocorridas em São Paulo e Rio de Janeiro, bem como outros atos públicos previstos para os próximos dias, colocaram o governo Lula numa posição insustentável no que concerne a justificar a visita de Ahmadinejad. Por essa razão, também atribui o adiamento ao fato de que milhares de brasileiros, conscientes da gravidade da situação, tenham saído às ruas para demonstrar sua perplexidade e repúdio à decisão do governo brasileiro de receber, no Brasil, o presidente de um país que propaga o ódio, a destruição, a homofobia, o enforcamento e o apedrejamento de mulheres.

Em decorrência o MJDH vem a público para agradecer a todos que manifestaram seu apoio ao ato que estava sendo preparado em Porto Alegre, em especial as organizações de defesa dos Direitos Humanos, dos direitos de homossexuais e de mulheres, bem como as da comunidade judaica.

Presidente:          Dani Rudnicki
Vice Presidente:  Luiz Francisco Corrêa Barbosa
Secretario:           Newton Muller Rodrigues
Tesoureiro:          Cid Silva Soares
Conselheiro:        Luis Milman
Conselheiro:        Jair Krischke
Conselho Fiscal:  Carlos Josias Menna de Oliveira
Vitor Vieira, brasileiro
Christopher Belchior Goulart
Afonso Roberto Licks
Paulo Roberto Castro Dias
Wilson Muller Rodrigues

Movimento de Justiça e Direitos Humanos
Avenida Sem. Salgado Filho, 327 – Sala 107
Telefone: (51) 3221 9130
mjdh@terra.com.br
http://www.direitoshumanos.org.br

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