Diploma de Jornalista

Prof. Dr. Luis Milman -

                 jornal Sou jornalista desde 1977, vão-se lá bons 32 anos.  Sou diplomado, mas iniciei na profissão sem o canudo, assim como o fizeram – e o fazem- centenas de outros profissionais.  Necessitei do canudo para trabalhar numa redação, em 1981, quando retornei ao Brasil, depois de alguns anos, curiosamente trabalhando como jornalista também, no exterior.  O canudo foi uma barreira que, devido à política da empresa em que vim a trabalhar, tive de transpor para continuar no ofício. Depois, com a ajuda dele, obtive outros canudos, mas nenhum deles tornou-me um jornalista pior ou melhor. Buscar informação, trabalhar com fontes, preservar minhas prerrogativas profissionais, elaborar textos, enfim, tudo aprendi nas redações em que trabalhei desde os 19 anos – Folha da Manhã de Porto Alegre, Rádio Guaíba, Zero Hora, Isto É, Veja, O Estado de São Paulo e Correio Braziliense. Nada aprendi na faculdade.

                A discussão que ora prossegue – embora finda a etapa da esfera judicial, onde consagrou-se o direito à liberdade de expressão contra um decreto cartorial da infame ditadura-  parece-me fútil diante da realidade que conhecemos e que importa, de fato, aos jornalistas. Bons profissionais sabem escrever de modo elegante e claro,aprendem a rotinizar preceitos éticos  que dizem respeito à verdade das informações  que transmitem e, quanto ao mais, vão se lapidando e diferenciando de acordo com a experiência que acumulam e com o talento que cada um possui. Há músicos apenas e há grandes músicos, há virtuoses em qualquer atividade. Algumas delas –como a medicina e a teoria da computação- exigem graduação mínima em termos de investimento intelectivo a ponto de terem se tornado campos de ação de alta sofisticação  em nível teórico e técnico.  A faculdade de engenharia, para citar mais uma, exige conhecimentos específicos que os alunos aprendem ao longo de anos de ensino sistemático. Não se requer o mesmo de jornalistas, músicos ou escritores. Exige-se deles a paixão pelo e a dedicação ao seu ofício e ao seu aperfeiçoamento na prática da profissão que exercem. O jornalismo não é a única profissão que está desregulamentada. Administração de empresas e publicidade, por exemplo, também são atividades para o exercício das quais não se requer curso superior. Mesmo assim, há faculdades – e boas- para os dois casos. Creio que ninguém pode considerar as boas faculdades de jornalismo dispensáveis. Nelas pode-se ensinar coisas importantes para o exercício profissional, em especial no que diz respeito ao domínio do idioma e na introdução dos estudantes àquilo que denomino de ambiente cultural jornalístico, com suas especificidades e história. Penso que ninguém pode ser contrário à aquisição de conhecimento e se as boas escolas de jornalismo propiciam conhecimento da profissão, elas continuarão a ser procuradas. As demais, que não passam de exploradoras da demanda criada pela regulamentação que agora, mesmo com atraso e por incompatibilidade com a liberdade de expressão, ruiu, que deixem de exisitir.

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