Os verbos conjugados pela família moderna

 

ecologias2

Por Vera Milman, jornalista
veramilman@hotmail.com

COSUMO CONSCIENTE E OS VERBOS MAIS CONJUGADOS NO MOMENTO: ECONOMIZAR, CUSTOMIZAR, REFORMAR, RECICLAR, TROCAR, ETC.

Estamos vivendo uma época onde muitos conceitos estão sendo revistos. Antes, o uso e o consumo desenfreado de tudo que fosse novidade no mercado, eram incentivados. Vivíamos no culto ao consumismo. E esse comportamento mostrou, ao longo dos anos, que fizemos parte de uma “loucura-coletiva” Agora, de uma década para cá, surge um movimento contrário, que tenta restabelecer limites e nos conduz para uma reflexão sobre nossas atitudes, até então, sem controles.
Este movimento parte do princípio de que o consumismo consciente deve começar a fazer parte do nosso cotidiano. As conseqüências de nossas escolhas hoje podem trazer benefícios ou não, para os que habitarão o planeta amanhã. Muito tem se falado sobre o uso correto, sem desperdício, da água, energia, alimentos, papel, plástico, enfim, diversos outros materiais que podem se esgotar na natureza, ou que podem prejudicá-la. A adesão a este movimento estabeleceu um divisor, por um lado aqueles que o aceitam e por outro, aqueles que não se importam com ele. Com o tempo, talvez, mais pessoas compreenderão, que não há outro caminho a seguir se quisermos continuar usufruindo o que a Terra nos oferece.   

RECICLAGEM
Em diversos segmentos a palavra Reciclar já é uma rotina: latinhas de refrigerantes, garrafas pets, papel que é recolhido nas ruas fazem o sustento de muitas famílias. E o Brasil tem se destacado nesse item. Além disso, importamos a guerra contra os plásticos, que tanto prejudicam a natureza, principalmente rios e mares. Este movimento de esclarecimento sobre o uso abusivo dos sacos plásticos começou em 1991, se não estou enganada, na Alemanha.  Mas de dois anos para cá, o assunto começou a ganhar força e ser mais divulgado no entre nós. Pede-se que troquem a sacola plástica pela sacola de pano, um hábito que eu observo dos mais difíceis de ser substituído, mas sem dúvida deveras importante. Atitudes mais incisivas devem evoluir para que ele possa ser mais disseminado em nossa cultura, como já acontece em países da Europa, onde até impostos são pagos por quem prefere o uso do plástico. Aqui não deverá ser diferente, porque, às vezes, só mexendo no bolso do consumidor para que um projeto dê certo.
No que se refere ao lixo reciclável, o que eu vejo é que muita coisa poderia ser agilizada, andar mais depressa. O cidadão ainda não assimilou suficientemente esta questão, que é essencial, além de simples e vantajosa. São muito poucas as cidades que disponibilizam locais para receber os diversos tipos de lixo: vidro, plástico, ferro, papel, lixo orgânico, etc. O poder público deveria ser mais regulador e fiscalizador desse processo. É preciso cobrar comportamentos mais civilizados em relação ao lixo, mas primeiro deve oferecer os meios para que isso ocorra. A educação é a chave para tudo. É só observar como são as ruas de uma cidade para conhecer o nível de educação de quem nela vive. Em Porto Alegre, capital dos gaúchos, tão orgulhosos de sua história, vaidosos por natureza, deveríamos esperar um comportamento mais adequado ao posto que a cidade  ocupa entre as outras capitais, mas é vexatória a sujeira encontrada na maioria dos bairros.
No quesito reciclagem de lixo estamos muito aquém do que seria aceitável. As Prefeituras deveriam colocar mais caminhões para recolher o lixo seco, que é separado pela população bem informada e de boa-vontade. Aqui onde moro, em um prédio do bairro Rio Branco, com a ajuda do zelador, todas as garrafas pets são colocadas em sacos de lixo, separadas dos demais e armazenadas, para que uma vez na semana, uma pessoa ligada a uma ONG, que atende mulheres vítimas da violência doméstica, passe aqui e recolha estes sacos e leve-os  para um local onde as pets são transformadas em material para artesanato. São ações desse tipo que poderiam ser copiadas, mais pessoas seriam beneficiadas com atitudes simples, que além de não causar transtorno algum, auxilia no desenvolvimento sustentável de outras comunidades.

TROCAR – REFORMAR – CUSTOMIZAR
Medidas que podem contribuir para um mundo MENOS consumista: A Dica do momento é Customização no vestuário: é a reforma de uma roupa que esta fora de moda, mas que pode ficar “chic” e ser usada ainda por muito mais tempo. O que você ganha: economia, não vai gastar na compra de uma roupa nova. Hoje em dia, um atelier de costura e customização sabe sugerir um novo modelo para o seu casaco fora de moda, ou fazer das camisas do seu marido uma linda blusa com estilo. Quem sempre esta dando dicas nesse sentido é a Angélyca La Porta que, com a A4- Soluções em Costura, procura colocar em prática essa teoria (ver a edição da Revista Tudo Perto de junho/2009, pág. 26), e a matéria enviada por ela sobre Customização postada no site, com outras informação sobre o assunto.
As calças Jeans, que tanto nos fazem felizes, podem muito bem serem renovadas com tingimentos especiais e com as cores que estão na moda. Eu costumo fazer isso com as calças jeans de todos da família.  Outros tecidos também podem ser tingidos: no verão que passou, peguei uma calça vermelha, linda, um corte perfeito, mas que, devido a cor, já havia me cansado dela. Levei para Restaura Jeans, escolhi um tingimento em xadres, ficou excelente, hoje visto-a muito mais do que quando era vermelha. As Restaura Jeans da Venâncio Aires, da Cel. Bordini, da Wenceslau Escobar são dirigidas por Milton e Solange. O casal está sempre disponível para atender e orientar qual o melhor destino para sua peça de roupa – lavagem, tingimento – restauração de couro ou customização. Confira: 51 3392.2487. Outra loja que também conheco e indico é a da Av. Goethe, onde a Ana também costuma procurar a melhor solução para o seu vestuário.
As Lojas da Restaura Jeans estão em diversos bairros e, com certeza, deve ter uma próxima de você, fale com o responsável e veja a imensidão de serviços que eles possuem e que facilitam nosso dia-a-dia. E assim eu tenho feito com grande parte das minhas roupas e da minha família, reformo, customizo, mudo de cor, estou sempre explorando coisas novas, só vou às compras quando muito necessário.
Um movimento que surgiu nos Estados Unidos e Inglaterra há alguns anos atrás, está mexendo com a cabeça das mulheres brasileiras, pois somos nós que sempre desencadeamos ações desse tipo, estamos acostumadas a cuidar da economia de uma casa, somos melhores administradoras do que muito executivo. São os chamados bazares e festas de troca-troca entre amigas, conhecidas, ou quem aderir a idéia, que busca a renovação do guarda-roupa. Você enjoou de uma roupa, troque por outra que sua amiga não quer mais, mas que em você vai ficar maravilhosa. É aquela blusa preta que estava faltando para combinar com a saia que estava sem uso. E assim por diante. Temos que encontrar soluções criativas que podem satisfazer nosso gosto por novidades, sem comprometermos nosso orçamento.

BRECHÓS
Sou fã de Brechós. Uma jaqueta de couro marrom, que adoro, comprei em um Brechó no Bom Fim, por meros R$ 50,00. Tenho amigas que vivem visitando brechós, com o objetivo de conseguirem peças únicas, possíveis de customizarem ou tingirem, se o tecido estiver em boas condições, enfim, providenciar um toque especial para elas.  Muitas das calças jeans que tenho, encontrei em Brechós. Tem que garimpar e saber escolher o que realmente vale à pena, e não se deixar levar pelo impulso na aquisição de uma peça que está com um custo muito abaixo do mercado, mas que na realidade não irá acrescentar nada em seu guarda-roupa.
  As escolhas existem, temos que nos dar conta que podemos fazer girar a roda da economia, sem causar a bancarrota dos comerciantes, e que desse modo todos sairão ganhando. Principalmente nossas finanças pessoais, e por que não, nossa auto-estima? Sim, porque quando nos dermos conta que, ao evitamos gastos desnecessários e deslumbrarmos, no final do mês, que sobrou para a poupança, outras coisas começam a ser valorizadas a partir daí. Que somos capazes de admirarmos uma bela vitrine e paramos para pensar: aquela roupa maravilhosa, ali parada, pedindo para ser levada para casa, está realmente nos fazendo falta? Se a resposta for não, então temos que reconhecer que o controle dos nossos desejos de consumo passou a ser algo racional e não mais um simples apelo comercial e emocional.

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