Lembranças e resgates
- sexta-feira, novembro 20, 2009, 7:36
- Bem Estar, Notícias, Vivendo Melhor
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Por Juarez Rodrigues
Quando chega-se a mais de 50 anos de idade, a reflexão de tudo que se foi na vida, o que passou, o que viveu, os amigos e amores que deixou para trás, é algo que não a deixa mais sozinha, é uma companheira permanente. E, muitas vezes, perguntamos a nós, em quais casos eu poderia ter feito um resgate emocional que me deixaria hoje, mais pleno em sentimentos de paz, amor, afeto e compaixão?
Bem, uma lembrança boa dos tempos de moleque era a feira-livre. O meu pai possuía um caminhão “Studebacker” com produtos de frios, queijos, chimias e enlatados. Ali, ele e minha mãe trabalhavam juntos com um empregado. Aliás, a minha avó Lélia e ele estavam nesta situação porque eles perderam as terras no interior e não tinham outra atividade. Vieram sem nada para Porto Alegre e entraram para a feira-livre, lá por volta de 1958, que na época era bem organizada e de bastante movimento.
Aos seis anos de idade meus pais se separaram e fiquei afastado da minha mãe, pois permanecemos com o pai. Foram tempos difíceis, pois ele encontrou outras companheiras e com elas teve novos filhos, novos irmãos.
Passado alguns anos, quando conseguíamos ficar um fim-de-semana com a mãe, íamos “farofar” na praia da Pedra Redonda Guaíba, no Guaíba, tomávamos banho em águas limpas. Algo quase impossível nos dias de hoje. Voltávamos no fim da tarde de ônibus.
O tempo passou e afastou estes pais de mim. Eu também afastei-me de mim!
Há algo superior, que vai nos dando sinais, mas na sua maioria, não os percebemos. Às vezes, eles são tão intensos, que somos obrigados a percebê-los. Aí então, está toda a diferença de nossa busca por uma paz interior. Sinais que nos pedem resgaste. Resgate de nós, de nossas relações, de nossos afetos. Resgates que pedem nossa piedade.
A mim foi designado acompanhar meu pai em seus últimos momentos. Estava lá eu e minha filha, ao lado de seu leito de enfermo, segurando sua mão e conversando até ele ir embora, na sua viagem eterna. Entendo que foi uma escolha sua. Antes já tínhamos conversado sobre sua vida e entendi perfeitamente o pai que ele fora para mim. Me sinto recompensado por tido ele como pai.
De outro lado, está a relação com minha mãe. A sua vivacidade, o seu apego pela vida é que a faz uma mulher jovem aos 82 anos de idade. Aprendi a conviver com ela e entender todo o sofrimento que passou ao separar-se de meu pai. Foi uma outra construção. E hoje, proporciono a ela a realização de alguns sonhos seus, e meus. Também conversamos spbre sua vida e entendi perfeitamente a mãe que ela foi para mim. Me sinto recompensado por ter ela como mãe.
Agora, todos os ensinamentos da vida marcados a ferro e fogo em mim, estão sendo apresentados na forma de “livre pensar” e “livre compreender” em um livro “MASSINHA” com cartuns de reflexão sobre nossos relacionamentos e viver. Espero que gostem! Livre críticas e sugestões, como também encomendas ao preço sugerido de R$ 12,00, para o fone: (51) 8422.1052 – com Juarez Rodrigues.
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