A Ciência da Felicidade

Por Dr. Rubens Mário Mazzini Rodrigues
Médico Psiquiatra – CRM 9760
http://www.yatros.com.br

Até recentemente, as ciências da mente e do comportamento, como a psicologia, a neurociência e a psiquiatria, se dedicavam basicamente em estudar os aspectos patológicos do funcionamento emocional humano. Buscavam entender as doenças para poder curá-las ou corrigir os, assim chamados, desvios da normalidade. Assim sendo, estavam voltadas predominantemente para os aspectos negativos do funcionamento mental e emocional. Já, a Psicologia Positiva, se concentra não apenas em melhorar os eventuais aspectos patológicos, mas em ir além deles, buscando formas de incrementar ainda mais o bem estar e felicidade das pessoas ditas normais. A moderna Ciência da Felicidade traz a possibilidade de medir o grau de satisfação com a vida de modo a permitir o desenvolvimento de técnicas para o aprendizado de novas habilidades capazes de criar mais felicidade em nossas vidas, ao invés de apenas restaurar a felicidade perdida.

Estudos controlados sobre a felicidade, realizados em universidades, demonstram que 50% do nosso potencial para a felicidade está determinado por nossa herança genética e, bem ao contrário do que comumente se acredita, apenas 10% de nosso estado de felicidade depende das circunstâncias de vida. Os restantes 40% dependem de nossas atitudes e padrões de pensamento.

O QUE É FELICIDADE?

Existem muitas definições sobre o que seja felicidade, sendo que esse é um conceito muito particular para cada pessoa, ou seja, algo de ordem subjetiva. Por isso mesmo a ciência absteve-se de encarar a felicidade como um objeto de estudo. No entanto, independentemente do conceito ou definição que cada um tem de felicidade, o certo é que esta cria um estado emocional característico, uma sensação subjetiva, durante a qual, a pessoa não apenas tem certeza de que está se sentindo feliz como emite sinais objetivos que podem ser identificados por qualquer observador. Estudos com imagens cerebrais geradas pelo método de ressonância magnética funcional conseguiram identificar com precisão quais são as áreas cerebrais que são ativadas durante o estado de felicidade. Isso permitiu identificar se uma pessoa está feliz ou não em determinado momento a partir da análise dessas imagens. Conseqüentemente, foi possível identificar que pensamentos ou padrões de pensamento e atitude são capazes de ativar essas áreas, ou seja, que podem gerar e manter a sensação subjetiva de felicidade. A partir de então foi possível desenvolver técnicas capazes de ajudar as pessoas a aprender como gerar mais felicidade em suas vidas de forma efetiva e sus-tentada.

Desde então, a felicidade pode ser estudada e avaliada de modo científico. Daí surgiu a Ciência da Felicidade, a qual vem elaborando estratégias capazes de modificar essas atitudes e padrões atra-vés da aquisição de novas habilidades que podem ser aprendidas e aperfeiçoadas continuamente através de treinamento. Atualmente existem testes, baseados em questionários, que podem ser aplicados de modo a medir o potencial genético básico das pessoas para a felicidade e o estado de felicidade de cada momento. Esses testes permitem avaliar de modo objetivo o avanço da pessoa no processo de aquisição das habilidades capazes de gerar mais felicidade.

QUEM É FELIZ?

Sabemos que cerca de 54% das pessoas, mais da metade da população adulta, encontra-se moderadamente saudável do ponto de vista mental. Mesmo assim, a maioria não se sente suficientemente bem, falta-lhes mais alegria, satisfação e entusiasmo pela vida, isto é, ainda estão em buca da felicidade. Estudos realizados pela Ciência da Felicidade demonstram que as pessoas mais felizes apresentam uma maior atividade em um determinado centro do hemisfério esquerdo do cérebro: o córtex pré-frontal esquerdo. Essa região do Cérebro está claramente ligada a emoções e sentimentos positivos. O córtex pré-frontal direito, ao contrário, está relacionado a situações desagradáveis e sensações sofrimento emocional. As pessoas que sofrem de depressão possuem uma maior atividade neuronal nessa área do cérebro. Situações, pensamentos, atitudes e atividades capazes de produzir sentimentos de felicidade têm a propriedade de ativar o córtex pré-frontal esquer-do. Quando mais intensa e longamente essa região é estimulada, maior se torna o seu nível de atividade e, conseqüentemente, maior se torna a capacidade da pessoa em sentir e usufruir felicidade. Em outras palavras, a estimulação torna os neurônios treinados em produzir estados de felicidade.

O PAPEL DAS CIRCUNSTÂNCIAS

Como já foi dito, apenas 10% de nosso estado de felicidade depende das circunstâncias, ou seja, de fatores externos do meio em que vivemos. Por exemplo, pessoas muito ricas, empresários, comerciantes, e outros profissionais bem sucedidos, estatisticamente apresentam níveis de felicidade apenas ligeiramente superiores a seus empregado, que possuem um nível material muito inferior. Sabe-se que as pessoas casadas, em média, gozam de um nível de felicidade melhor que dos solteiros ou separados. No entanto, em média, 25% das pessoas casadas contra 21% dos solteiros se declara “muito feliz”, mostrando que essa circunstância não afeta muito significativamente os níveis de felicidade das pessoas.

VERDADES E MENTIRAS SOBRE A FELICIDADE

Existem algumas crenças disseminadas a respeito da felicidade que fazem parte de nossa cultura que, quando examinadas mais a fundo, se demonstram falsas. Por exemplo: a crença de que a infância é a fase mais feliz da vida, a crença de que o dinheiro traz felicidade ou de que as pessoas mais bonitas são mais felizes. As pesquisas demonstram que o nível de felicidade tende a aumentar com a idade ao longo da vida atingindo seu ponto mais alto aos 75 anos, só depois começa a declinar lentamente, sem jamais chegar aos índices da infância, que são os mais baixos, lamentavelmente.

DINHEIRO E FELICIDADE

O nível de conforto material do qual a média das pessoas desfruta atualmente equivale ao que os 5% mais ricos desfrutavam há cinqüenta anos. Entretanto, o nível médio de felicidade dos norte-americanos em 1940 era de 7,5. Hoje está em 7,2. No entanto, o nível médio de riqueza atual é equiva-lente ao dobro do nível de 1940. Por outro lado, não só a ênfase no materialismo não redunda em felicidade como se tem mostrado um fator prognóstico de infelicidade. Um estudo acompanhou o nível de felicidade de doze mil calouros de universidades norte-americanas dos 18 aos 36 anos. No início do estudo foi perguntado a todos qual o seu principal objetivo de vida: ganhar dinheiro ou a realização pessoal? No final do estudo, dezoito anos depois, verificou-se que o nível médio de felicidade daqueles que declaram “ganhar dinheiro” como o principal objetivo era inferior à média dos que declararam ser a “realização pessoal”.

Outro estudo acompanhou o nível de felicidade de pessoas que ganharam altos prêmios de loterias. Verificou-se que, um ano após terem ganhado o prêmio, seu nível de felicidade não era maior do que o de seus amigos que nunca ganharam na loteria. Isso se deve a um fenômeno chamado adaptação hedonística, que faz com que o ser humano se adapte rapidamente a mudanças fisio-lógicas e sensoriais, devido a esse fenômeno, as mudanças e incrementos de felicidade causados pelas circunstâncias nos deixam felizes por algum tempo, mas por muito pouco tempo, muito menos do que gostaríamos ou que costumamos acreditar. A natureza sabe o que faz, pois isso impede que nos acomodemos por muito tempo a partir dos resultados obtidos e se torna uma vantagem adaptativa quando coisas ruins acontecem.

FELICIDADE E BELEZA

Outra crença cultural muito comum e excessivamente valorizada no dias de hoje é a relação entre beleza e felicidade. Isso faz, por exemplo, com que as cirurgias plásticas estéticas sejam cada vez mais procuradas. Atualmente no Brasil, a lipoaspiração e o implante de silicone são as cirurgias mais realizadas de todas. A maioria das pessoas declara ter ficado mais felizes com sua aparência física depois da cirurgia, mas por muito pouco tempo. Na verdade, e esse é um dado pouco conhecido e pouco divulgado, muitas pessoas não ficam satisfeitas com a mudança em sua aparência após cirurgias plásticas e se tornam menos felizes, de uma forma mais duradoura do que as que ficam felizes, podendo chegar à depressão e até mesmo ao suicídio. Isso acontece porque essa mudança circunstancial na aparência física não afeta o funcionamento cerebral e não muda os padrões de pensamento e atitude em relação à vida, ou seja, não atinge o ponto central da questão, os aspectos que realmente fazem a diferença. Na realidade o que acontece é justamente ao contrário do que se acredita: as pessoas felizes se sentem mais bonitas, pois as pessoas felizes tendem a perceber tudo em suas vidas de maneira mais positiva e otimista, inclusive sua aparência. Todos nós conhecemos pessoas bonitas que são muito infelizes e pessoas julgadas “feias”, de acordo com os padrões vigentes de beleza, que são muito mais felizes. O mesmo ocorre em relação à riqueza materi-al.

CONCLUSÕES

A felicidade não é algo a ser “encontrado”, é algo que precisa ser criado ou construído ao longo de toda a vida. É esse processo de criação que precisamos conhecer melhor se quisermos ser felizes de forma duradoura. Em resumo, a fonte da felicidade consiste em como você se comporta, como pensa e que metas estabelece a cada dia de sua vida. Qualquer empenho no sentido de realizar mudanças na vida, inclusive em relação aos níveis de satisfação e felicidade, requer um esforço sustentado de um jeito certo e eficaz. A felicidade realmente não cai do céu e dificilmente acontece por acaso. Tornar-se feliz de modo duradouro requer algumas mudanças permanentes que exigem esforço, compromisso e disciplina bem orientados. Não há felicidade sem ação! E, ação requer tomada de decisão.

Sim, ser feliz dá trabalho, mas esse “trabalho” pode ser o mais gratificante de todos.

GRUPO ARTE DE VIVER

O GRUPO ARTE DE VIVER tem por objetivo reunir pessoas interessadas em aprender como podemos utilizar na prática os novos conhecimentos da Psicologia Positiva e da moderna Ciência da Felicidade para alcançar um patamar mais elevado de felicidade, bem estar e satisfação com a vida de forma sustentável ao longo de toda a existência. Conheça e Participe!

Palestras de Apresentação: 22 e 29 de julho de 2010 às 20h
Local: Rua Padre Chagas, 140 2º andar – Moinhos de Vento – Porto Alegre.
Informações: pelo fone 3222.8000 ou pelo e-mail: crisalida@yatros.com.br
Responsável Técnico: Dr. Rubens Mário Mazzini Rodrigues – Médico Psiquiatra – CRM 9760
http://www.yatros.com.br

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