Namorados para sempre?


O filme “Namorados Para Sempre” que está em cartaz nas salas de cinema de Porto Alegre conta a história de Cindy e Dean, casados há vários anos e com uma filha. Eles passam por um momento de crise, vendo o relacionamento ser contaminado por uma série de incertezas. Eles seguem em frente e tentam superar os problemas, se baseando no passado que fez com que se apaixonassem um pelo outro. A tradução do título do filme para o português nos leva a pensar em filme romântico leve, porém o título original “Blue Valentine”, algo como “Namorado Triste”, é mais fiel ao que vamos encontrar na tela. O filme mostra em seqüência não-cronológica o passo a passo do amor: do encantamento à rotina, do amor à indiferença. O casal, como quase todos, busca uma maneira de reativar o romance: planeja uma noite em um motel, que desde o convite até o encerramento se torna um encontro desastrado e, sobretudo triste.

Quem não se identifica com essas cenas, seja porque já experimentou algo semelhante ou porque teme chegar nesse estágio? Qual é o momento em que a paixão vira amor? Qual o momento em que o amor acaba? Existe amor eterno? Todas essas perguntas são pertinentes quando pensamos em relacionamentos e as respostas, assim como cada união, são individuais.

Quando um casal se conhece, um admira no outro, o jeito de ser, falar, sorrir, socializar. Vive-se um romance inclinado e pautado pela supremacia, onde não há imperfeições, necessidades de ajustes e muito menos possibilidades de falhas. Um grande equívoco, mas bastante comum. As pessoas tendem a superestimar o inicio do vínculo conjugal, cada uma com seus sonhos, ilusões.

Mas tão logo o relacionamento se torna sério, inicia-se uma luta interna, silenciosa, muitas vezes acompanhada de inseguranças que visa à tendência de um querer mudar o outro, uma forma de controle, que substitui a máscara usada para mostrar somente o melhor que temos em nós.

O relacionamento vira um “contrato de parecer”, esquecendo que ninguém muda verdadeiramente de fora para dentro na sua essência. Ao longo do tempo, um amigo em comum poderiam lhes apresentar, pois são dois estranhos convivendo cada qual, com o seu Eu Interior cheio de conflitos.

A evolução é uma constante e algumas mudanças se não bem assimiladas pelo casal, corroem as relações amorosas, permanecendo somente o contrato, o social. A sustentabilidade do amor foi destruída pelo sentimento de posse.

Não é de hoje que a relação amorosa se transformou em sinônimo de felicidade incondicional e talvez por isso mesmo haja uma atitude em não aceitar qualquer possibilidade de imperfeição nesse vínculo. Necessitamos ser conscientes. A felicidade necessita ser conquistada sempre, pelos dois envolvidos em um relacionamento.

Somos seres em crescente evolução, que pode acontecer de formas e graus diferentes para cada pessoa e isto poderá trazer um conflito, que se não bem gerenciado, poderá prevalecer a disputa de poder e não a sua junção, e a relação conjugal sairá enfraquecida.

A Psicoterapia de Casais pode investigar a relação conjugal com o objetivo de contribuir para a construção de vínculos amorosos consistentes, saudáveis e bem-sucedidos. É importante apontarmos algumas variáveis no sentido de adotarmos medidas preventivas para que possamos melhorar a qualidade dessa relação e entender que amar e ser feliz é possível, sim.

Lisiane Dutra  
Fone: (51) 8487 77-59
www.lisianedutra.com.br

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